sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Say something to the DEVIL
Coincidência ou não, o fato se dará exatamente quando comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Seja você mulher, ou apenas um amante das costelas de Adão, já vá se preparando.
Eu enquanto revolucionário de fachada, contribuinte dos lucros diretos de sua nação, anti-imperialista e obviamente, anti-BUSH já estou me preparando. Como?
Eu enterrarei 2 duzias de ovos, devidamente perfurados e chacoalhados, para que apodreçam.
Pois caso eu tenha a oportunidade de cruzar com o fulano, minha munição fétida será lançada em sua direção.
Temas para protestos não faltam, seja a questão ambiental, economica, bélica, narcisista ou de simples caratér de nojo para com o TINHOSO. Armem-se. Protestem. Gritem.
Mas se você não tem como protestar de outra forma, aproveite e deixe aqui o seu protesto através dos "comments".
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Paralisia internacional

CRÔNICA - CHICO GUIL
Paralisia internacional
Não é apenas a imprensa mundial que perdeu a credibilidade nos últimos anos. Caiu a máscara dos mocinhos. A humanidade já sabe que foi ludibriada.
Chico Guil
O soldado brasileiro que serve ao exército americano no Iraque sentia culpa nos primeiros dias, vendo jorrar o sangue das crianças nas ruas de Bagdá. Mas agora está tranqüilo, pois o capitão ensinou a ele que todas essas mortes são responsabilidade do exército. Ele não tem culpa, sua alma está limpa. O salário do mercenário gira em torno dos R$ 12 mil mensais. Um valor razoável para quem está sendo pago para matar. Equivalente à tabela de qualquer matador de aluguel no Brasil. O jornal publicou suas palavras como quem explica um detalhe importante da guerra santa que Bush pratica no Oriente Médio.
Há quem ainda acredite nesses depoimentos emocionantes, por conveniência, por medo, ou por ignorância. Mas a transparência proporcionada pelos modernos instrumentos de comunicação deixa cada vez menos margem para a manipulação. É verdade que ainda uma boa parcela de mal informados segue iludida com as historinhas de heróis contadas pela grande mídia. Mas os fatos vazam, numa concentração muito maior do que gostariam os filhos do cão. As fontes alternativas de informação multiplicam-se, os grandes sentem que estão perdendo o controle e começam a agir com histeria, revelando sem querer seu estado de nervos. Basta ver a expressão facial de certos “âncoras” de telejornal, tradicionalmente impecáveis e agora meio gaguejantes.
Mas não é apenas a imprensa mundial que perdeu a credibilidade nos últimos anos. Caiu a máscara dos mocinhos. Os lindinhos mostraram sua essência monstruosa e a humanidade já sabe que foi ludibriada. Quem não leu as histórias incríveis da luta dos bondosos judeus contra os diabólicos árabes? Quem não viu a heróica luta dos americanos contra os diabólicos comunistas? Quem não chorou com eles em suas batalhas contra o mal?
Mas os mocinhos bombardearam o Afeganistão, o Iraque e o Líbano, espalharam o terror em escolas e hospitais, roubaram a vida de centenas de inocentes, e quem pode esconder esses crimes? Alguém ainda acredita que os terroristas são os árabes, os palestinos, o Hezbollah? Os âncoras estão gaguejantes, e os editoriais de certas revistas tradicionais estão cada vez mais patéticos.
A semelhança entre 2007 e 1939 é que 68 anos atrás as “nações civilizadas” também fecharam os olhos, perante o evidente propósito expansionista de Hitler. Somente quando se instalou o horror na Europa eles admitiram as reais intenções do bigodinho. Enquanto Hitler recuperava uma economia em ruínas (jogando os empresários desobedientes em campos de concentração), criava seis milhões de empregos e armava até os dentes a derrotada Alemanha, os vizinhos seguiam preocupados cada um com seu próprio umbigo, sem imaginar que aquele baixote brilhante poderia levar o mundo ao holocausto. O alarme soou na cabeça de certos governantes somente quando os nazi invadiram a Polônia. E então os líderes descobriram que havia um fenômeno fora do comum instalado na Europa. Uma vontade de uma força avassaladora.
Os “líderes” atuais parecem estar sofrendo daquele mesmo amortecimento mental. A história ensina o beabá com legras graúdas, mas há quem não queira ver. Os EUA invadiram dois países no espaço de dois anos e assassinam anualmente dezenas de milhares de cidadãos inocentes, sem sofrer qualquer sanção internacional. Israel bombardeou e arrasou o Líbano com uma desculpa esfarrapada de seqüestro, como se seqüestros não fossem notícia banal naquela região. E nenhum país civilizado deixou de fazer negócios com Israel durante e depois do bombardeio! Nem sequer se cogitou desarmar esse sobrinho malcriado de Tio Sam.
As revistas ilustradas e as telinhas de todo o mundo noticiam como uma grande vitória da ciência a criação de armas americanas sofisticadíssimas, que “causam grande dor sem provocar a morte”, ou que produzem “ruídos ensurdecedores e paralisam o inimigo”. Os mesmos veículos explicam que Bush quer destinar 20% de seus recursos às forças armadas. Quando vai cair a ficha dos “líderes mundiais” de que há uma nova vontade, uma força neurótica avassaladora preparando-se para dominar o mundo? Até o momento, parece que somente Chaves percebeu que as garras da Grande Águia estão prestes a abarcar o mundo, e reage armando-se contra ela. Mas Chaves, para a mídia internacional, é o ditador, o “seguidor de Fidel”, “um perigo para a democracia”.
Um garoto frustrado, mal instruído e malcriado botou o mundo de pernas para o ar, é o que vemos. Mas a verdade profunda é que há um homem determinado, que seja um gênio ou débil mental, jogando todas as suas fichas na dominação global e isso, infelizmente, não é um filme de ficção!
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Outra do Joãozinho, mas não é piada!
Ninguém sabe o que fazer.
Há vinte anos não sabemos o que fazer, se interferimos ou deixamos acontecer.
Quem pode, pensa em cair fora. Afinal os empregados continuarão garantindo o lucro e o bem-estar. Quem não pode, fica. Segura o bronca e engrossa a estatística e paga mais impostos pra viver cagando de medo... hahahah
Muito puto, fico muito puto com essa terra.
O que me emputece completamente é o quanto somos mesquinhos nessa nojeira que chamam de nação.
O Joãozinho, que Deus o tenha... é apenas mais uma vítima da brutalidade de nós mesmos. É isso aê! De nós mesmos. Eu preocupado com a porra das prestações do meu carrango e do meu cafofo, não tenho tempo pra pensar se temos como mudar essa porra toda.
Ah, então eu quero salvar o Brasil???!!!! Claro, todo mundo quer, você não?!
A estatística só cresce. Mais um menor de 15 anos que é levado pela brutalidade dos criminosos da cidade maravilhosa. Maravilhosa pra alguns, e olhe lá!
A porcaria da estatística já tem até índices de classificação. Etária, socio-econômica e racial.
Menor de idade + classe média + branquinho + gordinho + bonitinho da mamãe = acidentes trágicos, vítimas
Menor de idade + favelado + negro ou pardo = bandidinho morto, um a menos.
Isso não sou eu nem o IBGE quem diz. É o insconsciente popular da miséria.
Entre no site do IBGE e procure as estatísticas de cada caso e compare... Quem morre mais? Quem mata mais?
Pode até parecer que eu esteja fazendo pouco caso do Joãozinho, mas não! Não estou mesmo!
O fato é que para o crime chegar nesse grau de crueldade, os criminosos, menores de idade ou não, já receberam muita ajuda para serem malvados. No mínimo estão respaldados por leis que garatem condições básicas de desenvolvimento para todas crianças e adolescentes.... pergunte pro Renatao Aragão como se limpa a bunda com o ECA. Estão respaldados por leis que garatem um quarto cinco estrelas nas intituições penais para menores por 3 anos. Um belo curso intensivo de se tornar cidadão. A índole seria apenas um detalhe, ou não? Contextualize ...
Dirija aos hediondos criminosos os seguintes questionamentos:
- Até qual idade frequentou a escola? E por quê?
- Se possui pais vivos? Se não, quando ficou orfão e de que forma?
- Se possui algum historico familiar de morte a mão armada?
- Quantas crianças menores de idade já viu mortas nos becos e favelas?
- Qual o tratamento que sempre recebeu da sociedade?
P.S.: Lembrando que para a maioria que vive nos morros, favelas e periferias, sociedade = policia. Hein?! Isso mesmo! O camburrão é a única politica pública que chega...
Pronto, com as respostas dariam pra concluir que a nossa sociedade é uma fábrica de violões. Com todos os mecanismos bem calibrados pra não sobrar nenhum pobre bonzinho. Mas eis que a maioria deles se seguram na Fé, pois é a única coisa que temos.
O maldito colarinho branco mata milhares com a caneta, com o olho mergulhado no propósito de não perder o foco do próprio umbigo. Donos dos meios de comunicação, embrulham, enfeitam e te entregam diariamente um monte de ódio a ser canalizado para algo. Se você quiser, pode descarregar fazendo compras no shopping, ou puxando ferro na academia, ou ainda, se drogando como pode. Whisky ou pinga, pó ou comprimidinhos pra suar ao som de bati-staca... Onde se compra mesmo????
No final, vá à um bom terapeuta, claro!
Mas voltando ao ponto. O manual prático do homicida está em cada propaganda, em cada vitrine, em cada desgraça, em cada novela, em cada notícia, televisionada ou não.
Nessa guerra de todos contra todos, uns atiram pedras, outros com fuzil, os mais crueis com mont blancs reluzentes. Há quem ainda acredite que exista alguma solução pacífica.
E agora a mídia pede pra todos se voltarem contra os governantes. E a sequencia é muito interessante. Os governantes irão ordenar novas mílicias clandestinas, patrocinadas por estrangeiros, para fazer a limpa nos morros... e depois? Será que criaremos um segundo estado de Israel no suvaco do Cristo Redentor?
Ou irão atender aos interesses de um classezinha média que não sabe se impor e, reduzir a idade penal para 16 anos? As soluções simples eu já coloquei aqui... E as verdadeiras, cadê?
À família, meus mais sinceros sentimentos.
Aos governantes meu escárnio.
À mídia, muitos lucro$ com suas fotos e matérias diabólicas.
Aos brasileiros minhas lamentações.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Protesto Internacional Anti-Peles
ANTI-PELES
DIA 13 DE FEVEREIRO JUNTE-SE ÀS MILHARES DE VOZES PELO MUNDO CONTRA A CRUEL INDUSTRIA DAS PELES.
ESTADOS UNIDOS (Washington/Indiana/New York/San Francisco/Chicago/Los Angeles)
BRASIL (São Paulo/Rio de Janeiro/Porto Alegre)
PORTUGAL
IRLANDA (Ambassy/Else)
ISRAEL
ESPANHA
FRANÇA
TURQUIA (Istambul/Ankara)
BELGICA
TAILÂNDIA
ESTÔNIA
INGLATERRA
SÉRVIA
RUSSIA
CANADÁ (Vancouver/Kelowna)
VENEZUELA
ÁUSTRIA
GRÉCIA
MÉXICO
HONG KONG
LETÔNIA
HOLANDA
SUÉCIA
ALEMANHA
CROÁCIA
CHILE
AUSTRÁLIA
*países e cidades participantes até a presente data
O grupo "Pelo Fim do Holocausto Animal" (representando a "International Anti-Fur Coalition"), em parceria com o VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), convoca a todos para o segundo Protesto Internacional Anti-Peles que será realizado no dia 13 de fevereiro na cidade de São Paulo.
Em 2006, nessa mesma data, realizamos o primeiro protesto contra a China. De lá para cá nada mudou com relação aos animais daquele país.
A China é o maior produtor e exportador de peles de animais e, na total ausência de qualquer legislação ou controle governamental, os animais da indústria de pele chinesa continuam vítimas das mais extremistas formas de crueldade.
2.000.000 !!! de cães e gatos, anualmente, tem a sua pele arrancada na China. A pele desses animais está sendo exportada de maneira fraudulenta denominada de outros nomes.
Somando-se às outras espécies, mais de 40 milhões de animais são mortos todos os anos para o uso de suas peles.
Em protesto contra a má vontade que a China demonstra em tomar qualquer atitude contra este massacre de animais , foi designado o dia 13 de Fevereiro, como dia de protesto internacional que está sendo realizado simultaneamente em mais de 37 cidades ao redor do mundo.
No Brasil o protesto está sendo realizado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Este protesto está completando um ano e retorna agora para sua segunda edição, até que a China se pronuncie em favor dos animais.
Boicote aos produtos chineses.
Boicote a Olimpíada de 2008.
São Paulo - Consulado Geral da Republica Popular da China
Rua Estados Unidos, 1071 - Jardim América
Horário: 10h pontualmente.
Rio - Consulado Geral da República Popular da China
Rua Muniz Barreto, 715 - Botafogo
Horário: 10h pontualmente.
participação da "VEGAN STAFF"
JUNTE-SE À NÓS
acesse: www.holocaustoanimal.org
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terça-feira, fevereiro 06, 2007
Fórum Social Mundial na África
ODED GRAJEW
Nosso maior desafio sempre foi explicar, especialmente para a mídia, que o Fórum Social Mundial não é um evento, mas um processo
FOI REALIZADA entre os dias 20 e 25 de janeiro deste ano, em Nairóbi, capital do Quênia, a sétima edição anual do Fórum Social Mundial (FSM). Durante cinco dias, 70 mil representantes de milhares de organizações sociais vindos de mais de cem países participaram de aproximadamente mil atividades.
Para nós, ir para a África representou um enorme desafio pelas precárias estruturas materiais e organizativas e pela fragilidade da sociedade civil naquele continente. Mas, ao mesmo tempo -e também por tudo isso-, estarmos no continente que representa o que de pior o atual modelo de globalização produziu em termos sociais, econômicos, ambientais, culturais e políticos teve uma enorme importância simbólica e política.
Nosso maior desafio sempre foi explicar, especialmente para a mídia, que o FSM não é um evento, mas um processo.
Ao longo da história, uma minoria tem dominado e explorado a maioria da população. Só a força não seria suficiente para manter essa situação. Com o decorrer do tempo, a maioria acaba aceitando passivamente essa situação -acreditando nas mentiras que lhe são contadas e que justificam a aceitação do domínio da minoria- e não consegue se juntar para mudar essa situação.
O processo FSM procura transformar essa realidade, mostrando que outro mundo e outra globalização são possíveis, priorizando as pessoas, a justiça social, os direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz e conectando organizações e redes para ganhar força e poder social e político.
Os eventos anuais, locais, regionais e temáticos abrem espaço para que as organizações sociais realizem suas atividades e se articulem com outras para reforçar suas atuações. Foi esse processo que em poucos anos produziu tantas transformações.
Basta lembrar que no ano de 2001, quando foi realizado o primeiro FSM em Porto Alegre, o mapa político da América Latina era completamente diferente, e em Davos, onde até hoje se acredita que o mercado resolverá todos os problemas sociais, Carlos Menem era o grande herói, a defesa do meio ambiente e o alerta sobre o aquecimento global eram coisa de radicais retrógrados e, na véspera da Guerra no Iraque, nenhuma voz se levantou para alertar sobre os riscos da escalada militar.
Na África, durante os dois anos de preparação, a sociedade civil se mobilizou para a realização do fórum. O resultado foi fantástico. As organizações africanas, em sua maioria fragilizadas e desarticuladas, sem a ajuda de governos, puderam se conectar, montar suas redes e realizar um FSM altamente organizado, dadas as enormes dificuldades e as carências materiais no continente. O fórum promoveu a incorporação de muitas redes africanas nas redes internacionais e reforçou a pauta africana na agenda da sociedade civil internacional.
Uma novidade foi introduzida neste ano: o último dia foi consagrado à apresentação das propostas de campanhas e mobilizações para 2007, agrupadas em 21 temas, e que foram elaboradas e articuladas pelas redes internacionais durante o fórum.
Foi apresentado também o calendário dos diversos fóruns que irão se realizar durante o ano, no qual ganha destaque o primeiro Fórum Social dos Estados Unidos, que se realizará no final de junho, em Atlanta. No Brasil, teremos o Fórum Social Nordestino em julho, na Bahia.
Finalmente, o Conselho Internacional, cuja principal missão é expandir o processo do FSM, decidiu novamente inovar e assumir riscos, da mesma maneira que fez quando acertadamente decidiu a ida para a Índia em 2004, a realização do fórum policêntrico em 2006 (Venezuela, Mali e Paquistão) e, em 2007, na África.
Em janeiro de 2008, haverá o maior número possível de eventos, mobilizações e fóruns pelo mundo (inclusive no Brasil) para acelerar a expansão global do processo, reforçar as redes e ampliar as mobilizações e campanhas. Esses encontros se conectarão nos dias 26 e 27 de janeiro numa grande manifestação mundial.
Em janeiro de 2009, o FSM será realizado em um país a ser escolhido em junho deste ano.
O aquecimento global, a concentração crescente de renda e riqueza e o acirramento dos conflitos, frutos do atual modelo de globalização, representam uma enorme ameaça para a humanidade e provam que um outro mundo, diferente do mundo de Davos, não só é possível mas também urgentemente necessário.
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ODED GRAJEW, é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, idealizador do Fórum Social Mundial, idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq (1990-1998). Foi assessor especial do presidente da República (2003).
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Metrópole de Aço (publicado na Folha de S. Paulo)
Mesmo que eu nunca tenha usufruído da suas posses, mesmo que você não tenha dado direitos iguais há seus filhos, mesmo assim, feliz aniversário.
Mãe, eu não te culpo, faltou eu ter a maldade necessária para vencer, mas faz mó cara que eu não escrevo, acho que com todo seu poder, você entende, pois no final, toda rua de São Paulo quando não é contra mão é sem saída, pelo menos para nós que além do poder público ficamos a mercê do poder paralelo.
Sou o menino que passa carregando a carroça ao lado de um carro importado, mais caro que toda minha vida de salário, e estou indo para a esquina onde os rostos manchados por uma vida dura fazem bifurcação.
Sou o menino que assopra a fumaça do baseado como as fábricas fazem durante todo dia, e também sou seus funcionários lá dentro trancados que na maior parte do tempo são mudos e surdos.
Corro pelo trânsito caótico, de quem num tem tempo para abaixar o vidro e nem perceber que ainda estou vivo, desço a ladeira da indignação para chegar num bairro alagado, mas a culpa é nossa mesma, na hora do voto não fazemos o saneamento básico. Sou a idosa que vive de pegar lata vazia pra sustentar os dois netos.
Como nunca fui aposentado, fico a maior parte do dia imaginando o que é viver como o salário de um deputado, também imagino uma bomba que explode e chega a causar efeito no prato vazio de um pai sentado no lixão olhando o filho que nunca ri.
Você sabe que tem filho seu que dorme ao relento, mas mesmo assim o terminal de ônibus diz a todo momento para não dar esmolas, então vamos distribuir pistolas.
Pobre gente que na terra da garoa tenta ver algum sentido na vida.
Passo com minha caixinha de chiclete na rua de um ladrão de gravata que ora e de policial mal remunerado que chora, quando vê que seu igual é um trabalhador sem expressão e sem futuro.
Vejo o concreto, e perante as famílias sem o básico na avenida de tantos fins de semanas trágicos, eu sou apenas mais um rapaz comum.
Na metrópole de aço, colecionador de pedras é o que todos nós somos.
Sou a mãe que reclama da falta de emprego e quando percebe que o filho sem rumo só tem a rua como recurso eu entro, ligo o televisor e viajo na novela
Sou o evangélico com o bolso vazio e muita fé, que olha os imensos cartazes dos bancos e pensa no diabo.
Continuo a caminhar, vendo as guerreiras se prostituírem bem perto da avenida Oscar do luxo, onde a elite branca brinca de Nova York, perante o carro blindado que fica sempre estacionado na zona sul.
Me enfio por onde começa a rua do desespero, no alto de pinheiros, onde um mendigo morreu pra não incomodar mais o dono da mansão.
Sou o alcoólatra que antes morava na rua sem nome e no barraco sem número, expulso pelo verdadeiro proprietário, dono de algum condomínio fechado, que da penitenciária só tem uma diferença, os moradores pensam estar livres.
Mãe, você oferece tanta coisa que sei que não e pra mim, então porque você mente assim mãe?
A senhora sempre cozinhou, na mesa farta, queijos, vinhos, pães, e porque mãe só alguns podem entrar nessa casa? Não adianta ser a capital da fartura se essa fartura é pra uma minoria.
Mãe você adivinhou meu destino, não tem nenhum inocente aqui, mas me diga porque quando você me escreve, só me manda impostos? Seu coração não atende mais nem as emergências, não tem médicos que me curem a dor da solidão que seus prédios autos me causam.
Mãe, você é costureira e continua a fazer a colcha de retalhos, tentando mesmo que seja em vão juntar todos nós num mesmo lugar para depois chamar de lar.
São Paulo se tornou um lugar para os duros de coração, para os outros quem sair por ultimo feche a escotilha.
Mãe, num vou mentir, você ilude as pessoas de bom coração, dizendo que tem oportunidades na sua casa, mas todos sabemos que o preço é auto, quantos eu já vi tirando 6 anos num cadeião, ou mendigando por não achar emprego? Você mata os meninos e envelhece as meninas além de esconder o que te incomoda, como os cemitérios, as prisões, os doentes mentais Acho que você faz isso comigo também mãe, você me isola, porque não pode me dar o que prometeu.
Quando você me mostrava pras tias, elas me apertavam, me beliscavam, me mordiam, porque machucamos as coisas que admiramos?
Na hora que preciso eu não tenho o mesmo tratamento que meus primos, quando ouve aquele desabamento eles ficaram em hotéis, porque eu tenho que ficar com os outros num pátio de colégio?
Isolado aqui na minha aldeia, talvez eu nem seja um filho legítimo, afinal só sei que meu pai é baiano, talvez eu seja somente um bastardo, mas mesmo assim, feliz aniversário.
Do seu filho, Periferia.
AUTOR: FERREZ
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segunda-feira, janeiro 15, 2007
Juri Popular – O poder da mídia
Conceitos de liberdade de expressão, privacidade, formação de opinião e denúncia pública, bláblálblá. Revolta com a telinha da Grobo novamente. Óbvio, como diria meu camarada Ferrez, a fábrica de traições é mesquinha, cruel e claro “imparcial”, hahahah.
Ontem assisti novamente ao “Fantástico”, a revista semanal televisiva da massa. Você passivamente vê, ouve e claro, forma sua opinião. Se eles noticiaram, o fato ocorreu, se eles afirmaram tal coisa, você concorda, digere, se revolta, e se não apareceu lá na sua telinha, não existe ou é mentira. Pode parecer radical, mas é a forma que expresso a minha análise de inconsciente popular dos enlatados midiáticos. Ninguém questiona, procura segunda ou terceira fonte de informação, isso dá trabalho, é enfadonho e te deixa com mais dúvidas. O importante é assimilar os “adjetivos” e humores que a direção jornalística da nossa tão aclamada rede Grobo de televisão lança, a mesma do Brazilian Citizen Kane, a mesma cujos donos e afiliados são os herdeiros da dinastia da desgraça brasileira.
Bem, vamos aos fatos e manchetes desta ultima edição do “Fantástico”:
1- Modelo que faz sexo em local público tem direito de restringir o acesso, à um dos sites mais visitados na Internet, para todos os brasileiros?
2- Acusada de ser a mandante do assassinato do ex-camponês milionário que ganhou 53 milhões na mega-senna, a viúva dá entrevista exclusiva ao Fantástico.
3- Cratera do metrô em São Paulo, a culpa é de quem?
Para não ficar maior ainda meu texto e revolta, só relembro o serviço público prestado pelo Zeca Camargo e companhia em episódio semelhante, pois sem a ajuda deles a Suzane Pauladahofen estaria solta até hoje.
E novamente o Júri Popular entra em ação na sua telinha. E a minha pergunta é simples, depois da entrevista dada, a viuvinha é inocente ou culpada? Duvido que você demorou mais de dois segundos para formular a sua resposta. Nós, os “seres humanos”, adoramos julgar não? Mas para quê serve a tal polícia, o tal poder judiciário e as demais instituições públicas mesmo? Outra resposta rápida na sua mente... hehehehe
E sobre o youtube? Você se julga inviolável em sua privacidade? Você já teve fantasias eróticas parecidas? Você gostaria de ter o “prestígio” e grana que a ex-Ronaldete possui? E se fosse sua filha na praia? E você, garanhão, se tivesse papado a Cicarelli na praia, você processaria quem filmou? Ou mandaria o link do filminho para seus amigos?
Depois de vários desastres e denúncias, ninguém vai fazer nada? O metro coleciona vitimas por metro quadrado e a culpa é de quem mesmo?
Julgue você, você é o povo, é a voz da verdade, a voz de Deus... afinal, a democracia não é o governo do povo para o povo pelo povo? Faça, julgue, condene, é você quem manda, não?!
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Prêmio Nobel da Paz 2007
- Sua luta pela dignidade dos povos originários da Bolívia, da América Latina e do mundo.
- O respeito à diversidade cultural.
- A defesa dos recursos naturais.
- Seu exemplo de honestidade, trabalho, sacrifício e austeridade.
- A defesa da soberania e da auto-determinação dos povos.
- Seu trabalho em favor dos mais despossuídos.
- Sua luta permanente pela justiça social.
- Sua permanente pregação em favor da vida em harmonia com a natureza.
- Seu trabalho a favor de governar com a participação e o protagonismo dos movimentos sociais.
- O cuidado do meio ambiente e da ecologia.
- Sua tarefa constante pela integração dos povos latino-americanos e caribenhos e o respeito, a paz e a convivência entre as nações.
- O respeito às ancestrais normas indígenas de “Ama sua, ama llulla, ama qhilla”, que significa “Não robes, não mintas, não sejas preguiçoso”.
Se você se questionou sobre qual figura sul-americana é essa e não faz idéia de quem seja, eu te dou uma dica: O dono do mundo faz de tudo para que o mundo o chame de de INDIO COCALEIRO
Não descobriu ainda? Outra dica: Ele é presidente de um país vizinho e arrumou confusão ao nacionalizar o petroleo no ano passado.
Se ainda assim você não descobriu quem é, ligue a TV e vá assistir a novelinha da globo. Afinal você não quer nada com a paz e sim com as intrigas.