Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Vermelho como o céu!

Poderia ser apenas outro filme super dramático e apelativo, afinal tratando-se de uma estória verídica de uma criança que ficou cega e foi separada da família para estudar numa escola para cegos, no mínimo uma lágrima imaginamos deixar rolar na face.

Fiquei surpreso com a beleza do cinema italiano que outra vez me comoveu muito, eu disse beleza e não tristeza.

Irina Palm

Com Marianne Faithfull, o melodrama de uma avó que faz de tudo ao seu alcance para conseguir dinheiro para salvar a vida de seu netinho doente.
Quebra paradigmas, mesmo no universo frio Britânico, o filme revela que o humor é muito mais verdadeiro quando é sutil.
Ainda sobre o humor do filme, me recordo dos clássicos de Chapplin que tinha o poder de ser tragicamente engraçado, ou comicamente trágico.


Sábado, Outubro 30, 2010

Quer me foder me beija!!!!

Tropa de Elite 2, não tenho como deixar de opinar aqui. Há várias coisas importantes para mencionar, ficaria dias escrevendo. Análise técnica, política, repercussão e o que representa essa obra no inconsciente popular, enxuguei o que realmente acho que vale à pena compartilhar.

Tecnicamente o filme é muito melhor produzido que o primeiro, afinal com dinheiro é tudo mais fácil. O roteiro que nunca foi o fraco do Padilha, melhorou e muito. A fotografia do filme não é o ponto forte mas não caberia nenhuma crítica também.

O enredo que passou a ter uma concepção invertida é o ponto forte da obra (minha opinião). Invertida por que no primeiro filme trata-se de uma biografia documental narrada em primeira pessoa que ganha uma estória para caber na telona, parecendo uma ficção que retrata a verdade, quando sabemos que de tão verídico parece ficção.
No Tropa 2, o filme é escancaradamente uma ficção baseada ou "fundamentada" no cotidiano de nossas instituições públicas. A paranóia difícil de se assimilar é que já esperávamos um filme de "denúncia pública" das nossas mazelas com uma "ar" de ficção e outro tapa na cara de todos os brasileiros. (Pede pra sair!!! ).

Seria fácil tentar analisar tecnicamente o filme, principalmente comparando o primeiro, mas me lembrei que escrevo aqui quando quero dividir o que penso sobre as coisas da maneira que vejo. O que vejo vai muito além do filme dirigido pelo José Padilha.

Essa "modinha" de denuncia por denuncia me incomoda. Me parece com vizinhas falando mal de alguém do bairro. É mero exercício de falta do que fazer. Paramos para assistir novamente nossa desgraça, se revoltar ou achar graça e, depois, continuamos nossa vidinha sem nenhuma mudança.
E se já não bastasse a miséria esfregar a cara na sua porta todo dia, você ainda pode vê-la no jornal, na revista, na TV com tragédias narradas ao vivo. A ultima moda do brasileiro é ver sua própria tragédia comendo pipoca. Acho muito mais sádico isso do que uma guerra civil.

Vejo o nosso "jeitinho brasileiro" sendo tão efetivo que pegamos fila e pagamos para ver o espetáculo da nossa ignorância e, no final vamos torcer para o mundo ver e nos premiar.

Esse jeitinho brasileiro funciona de dentro pra fora, ou seja, dizemos a nós mesmos que já sabemos de todas as denúncias do filme. Interiorizamos e nos identificamos com o antigo herói da farda preta quando ele realiza o sonho enrustido de todos brasileiros descendo a porrada no político canalha (que também é um "cara da mídia"). Neste momento a adrenalina sobe e chegamos a um semi-orgasmo cívico. E é aí que o ser humano se mostra covarde, e o retrato não poderia ser melhor, afinal o Nascimento perde a linha quando o negócio é com a familia dele. Por que assim somos, enquanto a água não chega na minha casa, foda-se quem vive mais perto do córrego, azar o dele.

Ainda no mundinho interior de nossas hipocrisias e covardias enraizadas, nos colocamos como vítimas de todos os tipos de malandragem, em todos os níveis. Não conseguimos assumir ao outro que somos todos cúmplices da mesma covardia apática que permite algum "esperto" fular a merda da fila da pipoca sem que alguém se manifeste. E seguimos cúmplices de nossa covardia e ignorância enquanto não temos alguém para julgar, culpar e executar em praça pública.

E ainda ficamos mais frustados ainda quando constatamos que a ética e o bom senso nos garante o rótulo de otário.

Para terminar, lembro que cometemos no cotidiano um suicídio coletivo de nossa cidadania e auto-estima. Que de tão surreal que pareça minha paranóia escrita acima, o mais difícil é aceitar que o "cidadão brasileiro" não passa de um aborto que vaga nesse continente como um órfão fantasma e sem identidade e ainda acha que seu voto será responsável pela mudança disso tudo.

Aguardarei que o próximo ladrão ou político continue me fodendo, mas agora eles sabem: - QUER ME FODER, ME BEIJA!!!!

Protesto e polemica

Vídeo do grafiteiro britânico Banksy. (Direto da BBC)

Sexta-feira, Outubro 15, 2010

Está na Internet!! HOAX

Acho interessante como o povo se expressa e como se entrega.
Quando criança eu ouvia algo como : -Passou na TV !!!

"Passou na TV" era sinônimo de "é verdade".

Agora é a vez do "Tá na internet"...

Se alguém publicou em algum blog estúpido que inventaram a cura do cancêr, vira verdade... ninguém questiona nada.
Nem vou citar o fato de alguns e-mails repletos de "verdade" tomarem conta das mentes digitalizadas.

Grande parte das idiotices que recebo são HOAX, com uma simples busca no google se descobre isso.

O que é HOAX? Clique na pergunta e veja no site da cocar brasil o que isso significa.

Terça-feira, Outubro 12, 2010

Killing in the name of (sustentability)...


Quando adolescente sonhava em ver minha banda predileta o "Rage Against The Machine". Depois de separações e reconciliações eles finalmente vieram ao Brasil. E por mais irônico que pareça foi ótimo não ter visto a banda predileta da minha adolescência revoltada.

Mesmo tendo a $orte de poder bancar o ingresso completo, estacionamento abusivo e comida exclusiva do evento prefiro não ir. Pois um salário mínimo para assistir à um festival de musica talvez não seja coerente na minha mente de girino. Há uma década atrás não se gastaria mais de 2 onças para se divertir por 3 dias em festivais de musica. Ou seja, hoje pra isso você precisa ser completamente playboy ou pedir empréstimo ao banco.

À propósito da sustentabilidade o evento é numa fazenda aparentemente improdutiva.
À propósito da reciclagem, não se permite entregar latas de cerveja aos clientes, os quais são servidos em copos plásticos que encontrarão o meio-ambiente como lata de lixo nos minutos seguintes.
Devo comentar sobre os banheiros químicos? Devo comentar sobre a poluição dos veículos envolvidos no transporte até àquele fim de mundo? Patrocínio Coca-Cola ??
PISTA V.I.P. ?!?!?! O mundo acabou e não me avisaram!

"Starts with you".... O Slogan diz tudo, se já não bastasse a minha geração repleta de egoístas rebeldes, agora temos uma geração de rebeldes digitais, voláteis, volúveis e superficiais, cheios de informação e sem conteúdo algum.

Talvez eu vomitasse ao ouvir um refrão que diz:

NOW TESTIFY !!! ou então... YOU GOTTA TAKE THE POWER BACK!!!

Segundo Turno em Spring Field

Segunda-feira, Outubro 11, 2010

"CANSEI", a expressão do medo recheado com preconceito e cobertura de dor de cotovelo

Desculpem meus amigos, mas vou votar no Serra... Depois de ler todos os meus e-mails que tinha movido para a minha pasta entitulada "Politica - ler depois" eu resolví uma coisa. Votarei no Serra, eis as razões que me convenceram.

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar carne, queijo, presunto, "amburrrgui" e "iorgute".

CAnsei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

CANsei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite.

CANSei dessa demagogia. E de repetir que morro de inveja de ver um operário sendo líder de uma nação.

CANSEi de ir em Shopping e ver essa gente marrom de cabelo ruim comprando e desfilando com seus celulares.

CANSEI dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, casa própria (até a minha empregada). "É uma vergonha!", como dizia o Boris Casoy.

Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque tal como em SãoPaulo, serão instalados postos de pedágio em todas as avenidas e cobrarão caro.

Desculpem mas Voto no Serra....

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel agora navega, tem Orkut, maquina digital, tiram fotos na laje dentro da caixa d'agua ......Pode ???

Tem até pobre pagando Imposto de Renda, tirando uma de bacana, onde já se viu !!!

Vergonha, vergonha, vergonha...

Desculpem meus amigos, mas vou votar no Serra. Não sei como não tinha pensado nisso tudo antes!!!!

*OBS: Para alguns tucaninhos acéfalos preciso esclarecer (o texto é irônico e cheio de sarcasmo - náo precisa ficar ofendido e nem parar de falar comigo hahahaha), é apenas uma brincadeirinha em repúdio a quantidade de e-mails recebidos do anti-lulismo anti petismo e anti o que mesmo?? medinho do que mesmo??? A Regina duarte tá viva ainda??? Caralho, é mesmo ela não morreu com 8 anos do analfa barbado de 9 dedos...

Se for votar não dirija, oops não bebam. Se for beber seja feliz com seu voto!!! Entorpeça-se com seu voto!

Sábado, Abril 18, 2009

Quem quer ser milionário?

Acabo de utilizar os recursos de copyleft para ver o ultimo filme estrangeiro premiado na merda da festa estadunidense de cinema. Cago e ando para o Oscar, mas sempre paro pra ver os filmes "estrangeiros" premiados. Slumdog Millionaire, filme indiano, show de enredo e fotografia.

Se escrevo aqui sobre ele é por que o filme me traz alguns sentimentos de revolta. O primeiro é a revolta contra a merda da realidade comparada. Se lá a ascensão social entre castas é muito mais limitada do que aqui, o que me incomoda no meu país é que todo mundo sabe os caminhos para um pobre coitado brasileiro sair da miséria e "merecer" um relativo respeito.
São eles, a música, o futebol e a loteria. Eu sonho num dia dizer que os caminhos são, artes, esportes, estudo e trabalho. Afinal sonhar com algo melhor que isso é pra lá de utópico.

Com estudo e dedicação já consegui entrar na linha miserável dos contribuintes do Imposto de Renda, ser milionário nunca passou pela minha cabeça, aliás, me dá até medo esse negócio.

Se o estudo e ralação foi minha trilha, penso e comparo a realidade com nossos amigos Indianos e concluo que a potencia do mundo da tecnologia da educação se deu com quase duas décadas de investimentos na educação, ignorando todas as outras necessidades básicas humanas (de acordo com as exigências da ONU).

As favelas lá são muito maiores e sujas do que as daqui, a comparação da extensão territorial também é válida, mas quando o papo é índice demográfico, ficamos pra trás vendo poeira.

Fiquei eu depois do filme a pensar, lá também deve morrer jovem pra caramba, e deve ter crime, droga, acerto de contas, impunidade, corrupção e, claro, muita injustiça. Nem penso em comparar os índices de homicídios que assombram os jovens com menos de 25 anos. Por aqui é um absurdo o número de jovens comendo capim por baixo ou apodrecendo numa cadeia.

Na minha mente estúpida e revoltada cheguei a relacionar que a manutenção da nossa miséria, onde pobre mata pobre e rico mata pobre, é que garante o controle populacional, afinal se não morresse tantos jovens no Brasil, talvez a nossa população se equiparasse com a da Índia, e os custos sociais do governo causariam um déficit fodido nas contas públicas e, claro, limitaria os desvios de verbas.

Olhando para os anseios dos irmãos cinzas da Índia, não tenho dúvidas, temos os mesmos sonhos e provavelmente os mesmos problemas. Porém na indústria da Informática somos concorrentes e custamos pouco para os "Senhores de Engenho Digital". E a tal crise mundial nos torna inimigos mortais nos mega business das transnacionais de TI, enquanto os limitados profissionais estadunidenses mínguam na miséria do desemprego de suas ostentações bancadas por genocídios mundo afora.

Não há dúvida nenhuma, em diferentes escalas e contextos continuamos colonizados e escravizados, vendendo as drogas digitais ou psicotrópicas, na surrealidade de desejos humanos que colidem com as trademarks dos senhores da casa grande financiada por papéis de mentira.

E quem lucra, no apogeu ou crise, é sempre alguém que tem "olho azul" !!!