Sábado, Abril 18, 2009

Quem quer ser milionário?

Acabo de utilizar os recursos de copyleft para ver o ultimo filme estrangeiro premiado na merda da festa estadunidense de cinema. Cago e ando para o Oscar, mas sempre paro pra ver os filmes "estrangeiros" premiados. Slumdog Millionaire, filme indiano, show de enredo e fotografia.

Se escrevo aqui sobre ele é por que o filme me traz alguns sentimentos de revolta. O primeiro é a revolta contra a merda da realidade comparada. Se lá a ascensão social entre castas é muito mais limitada do que aqui, o que me incomoda no meu país é que todo mundo sabe os caminhos para um pobre coitado brasileiro sair da miséria e "merecer" um relativo respeito.
São eles, a música, o futebol e a loteria. Eu sonho num dia dizer que os caminhos são, artes, esportes, estudo e trabalho. Afinal sonhar com algo melhor que isso é pra lá de utópico.

Com estudo e dedicação já consegui entrar na linha miserável dos contribuintes do Imposto de Renda, ser milionário nunca passou pela minha cabeça, aliás, me dá até medo esse negócio.

Se o estudo e ralação foi minha trilha, penso e comparo a realidade com nossos amigos Indianos e concluo que a potencia do mundo da tecnologia da educação se deu com quase duas décadas de investimentos na educação, ignorando todas as outras necessidades básicas humanas (de acordo com as exigências da ONU).

As favelas lá são muito maiores e sujas do que as daqui, a comparação da extensão territorial também é válida, mas quando o papo é índice demográfico, ficamos pra trás vendo poeira.

Fiquei eu depois do filme a pensar, lá também deve morrer jovem pra caramba, e deve ter crime, droga, acerto de contas, impunidade, corrupção e, claro, muita injustiça. Nem penso em comparar os índices de homicídios que assombram os jovens com menos de 25 anos. Por aqui é um absurdo o número de jovens comendo capim por baixo ou apodrecendo numa cadeia.

Na minha mente estúpida e revoltada cheguei a relacionar que a manutenção da nossa miséria, onde pobre mata pobre e rico mata pobre, é que garante o controle populacional, afinal se não morresse tantos jovens no Brasil, talvez a nossa população se equiparasse com a da Índia, e os custos sociais do governo causariam um déficit fodido nas contas públicas e, claro, limitaria os desvios de verbas.

Olhando para os anseios dos irmãos cinzas da Índia, não tenho dúvidas, temos os mesmos sonhos e provavelmente os mesmos problemas. Porém na indústria da Informática somos concorrentes e custamos pouco para os "Senhores de Engenho Digital". E a tal crise mundial nos torna inimigos mortais nos mega business das transnacionais de TI, enquanto os limitados profissionais estadunidenses mínguam na miséria do desemprego de suas ostentações bancadas por genocídios mundo afora.

Não há dúvida nenhuma, em diferentes escalas e contextos continuamos colonizados e escravizados, vendendo as drogas digitais ou psicotrópicas, na surrealidade de desejos humanos que colidem com as trademarks dos senhores da casa grande financiada por papéis de mentira.

E quem lucra, no apogeu ou crise, é sempre alguém que tem "olho azul" !!!

Sexta-feira, Abril 03, 2009

HORTOLANDIA CITY - Aos manos e aos trouxas

Aos manos porque vale lembrar que aqui é o reduto de muitos que se arrependem, de vários que fizeram a escolha errada e de uma boa parte que nunca vai estar nem aí mesmo. Qual pobre não conhece alguém que tá preso?

Aos trouxas que eu tenho que aguentar com o discurso burguês de quem teve a oportunidade de fazer uma faculdade antes de existir o ProUni e que só enxerga o que querem ver, não fazem a minima idéia do que é a cidade de Hortolândia, felizes ou infelizes dentro dos escritórios das multinacionais.

Se liga no contraste, de um lado do muro 6 mil malucos, maioria escura, cabelo ruim. A maioria proveniente dos guetos e favelas, a realidade da maioria da população do país. O retrato falado do Brasil, a exclusão.
Do outro lado do muro, encarceirados em baias de 1,5m por 1,5m, bem vestidos, bilingues, olhos claros, formados, viajados. A verdadeira Finlândia.

Do lado de lá do muro, DEXTER, rapper, dos bons. Hortolandia também me traz na lembrança sempre outros grupos, Faces da Morte e Inquerito. No silêncio observo na esquina, dentro de um carro importado o semi-engravatado ouvindo TUPAC, da lotação parada no ponto emana um som do GOG.

Ainda acho que a faculdade da vida esqueceu de levar os mocinhos bonitos para um dia de visita na cadeia. O resultado, no mínimo, seria ter gente mais séria na rua.

Do ponto de vista mais alto, se vê quase a mesma quantidade de encarcerados dentro e fora do muro. Uns custa para o Estado R$ 687 enquanto outros geram pra união uma média, superior a isso, aproximadamente R$ 1000 per capita dos empregados na cidade em impostos diretos (Uma parte sai do bolso do patrão e a outra do empregado automagicamente).
Dane-se que a maioria dos empregados são de outras cidades, e principalmente por que eles que recebem os maiores salários. As empresas possuem alguma isenção fiscal na maioria das vezes. O governo Federal e Estadual ficam com a maior parte arrecadada. O governo Estadual por sua vez boicota a Prefeitura que arrecada pouco e pra manter as empresas lá, assumem a isenção de IPTUs. De um lado a galera com carro bonito, emprego bom, bem vestido. Pertinho dali os calças bege, que não tem mais nada à perder. E no meio um povo largado pelas todas as autoridades. Não quero sugerir nada, é apenas uma leve análise de risco.

Então a prefeitura quer fechar as delegacias no perído da noite pra economizar grana. Afinal a policia militar é de competência do Estado, mas não paga as contas. A prefeitura fodida que não leva nada com o tal Big Business tem que emprestar a grana pra pagar a conta de luz, agua, telefone, internet, material de limpeza e até gasolina das delegacias. Já entrei numa delegacia de Hortolandia à noite e percebi como o clima é tenso e não é à toa. PCC é foda.


Sob pressão internacional, o mais populoso e polêmico presídio do Brasil, o Carandiru, sumiu do mapa pra gringo ver. Pelo que me recordo foi implodido e apenas continua de pé os prédios do presidio femino. Pra mostrar ao publico "povo" como o Governo do Estado é bonzinho, eles tiraram os presos de lá antes de implodir. Só não contou pra ninguém pra onde transferiram os presos, digo sua maioria.

O mundo sempre dá voltas. Aqueles gringos que à propósito dos direitos humanos condenou o carandiru é quem visita suas Mega-Transnacionais em Hortolanida e claro, são hospedados em Hotel 5 estrelas em campinas. E pela janela do taxi, no caminho, eles sempre conseguem ver a SP101, o destino do lixo varrido pelo PSDB (O mesmo que sentou o pau em 111 e ficou por isso mesmo). Mas o problema é nosso.


O capital e seus lindos contrastes.

Sexta-feira, Março 27, 2009

SORRIA.....

Sexta-feira, Março 06, 2009

Reforma Agrária ?

Os caras do outro lado do Oceano dividiram isso aqui especulando o tamanho do lugar... Pois bem, o mais otário Rei do momento ficou com a maior parte, puta negócio.... E ali já tinha começado a exploração da nossa Terra. Logo depois as sesmarias, capitanias e tal. Vários cupinxas ganharam seu pedaço, a contrapartida, claro, garanta o lucro do lado de cá do oceano.
Corre pra cá e pra lá e a mina de ouro passa de mão em mão no imaginário da elite de européia. Até aqui no campo (unica atividade comercial) o negócio é escravocrata e bandeirante mesmo... matando índio avançando a compra de escravos africanos. Aqui entra um personagem fantástico. O Zumbi dos palmares.

Até a metade do século 19 o que se sabe é que tá tudo em baixo dos panos... e ao contrário de promover a reforma agrária, eles limitaram o usucapião. Ou seja, até ali controlavam a propriedade rural na base da força, do cangaço. Os almofadinhas achavam que só o contrato de compra e venda já resolveria a merda instaurada, as vinganças, as injustiças.

A igreja e a elite européia também é responsável pelos assentamentos dos brancos oriundos de países como Itália, Alemanha, Polônia e Japão pra popular as conquistas de terras da guerra do Paraguai, um puta golpe contra a América Latina e seu povo. Disimou o mais promissor e endividou os vencedores da aliança, e ainda usaram o novo sul do Brasil pra anistia de guerras, que não foram nossas hehehe.

Na ultima metade do século rola um controle por parte da igreja a qual levava um certo progresso nas suas Missões que ao menos criavam Municipios. Ali destaca-se a época de Padre Cícero, que assim como outros padres de origem humilde (único meio de ascenção social da época), usavam de seu poder Celestial e Político para amenizar as dores do sertanejo explorado.

Na luta de Antonio Conselheiro perdemos a resistência e a República se individa mais um pouco. O primeiro AlgumaCoisaDuto começa com a guerra de CANUDOS, eita nome sugestivo.

Ai quando o povo começa a entender seu destino, o Latifundio é o resultado de muitas lutas sangrentas, criando figuras emblemáticas como Lampiao, que hoje pode ser visto nos olhos de muitos periféricos das metropoles vivendo, roubando, matando, morrendo... A resistencia ainda tá aí, mas ninguém vê... a Revolução não será televisionada nunca...

Então chega a ditadura. Chumbo e porrete, pra mostrar mesmo quem manda.

Pediram, clamaram, suplicaram, morreram, sofreram, choraram e tudo que conseguiram na luta contra a ditadura foi um acordo... Silencio dos dois lados, todo mundo ganha.
Desde que nasci, só ouvi falar de um grande movimento popular de sucesso, nos seringais, onde surgiu um outro maluco que foi detido à bala, Chico Mendes.

E assim chegamos ao século vinte um miseravelmente explorando o velho "grande negócio" do Brasil. A "TERRA"... quem a tem, tem poder. Todo mundo sabe disso, todos entendem. Mas existe outra coisa muito velha por aqui, a idéia de que povo não pode progredir, povo tem que continuar povo, povão, povinho, gentalha.... Condenados à miséria, os rótulos vão mudando, hoje grileiros, amanhã agentes do INCRA, depois sei lá o quê.

Mas quando o povo resiste bravamente, a elite vende a história como vandalismo e selvageria.

Hoje a luta é no campo e na mídia. As maiores heranças da ditadura, a mídia gorda burra viciada e o maior movimento popular já visto no país, o MST.

Mas o agrobu$iness tá aí, e com ele a necessidade de se manter o latifundio, à golpes baixos como sempre. Afinal eles garantem o futebol , a cachaça e mulher pelada na TV. O arroz com feijão é problema teu.

O problema aqui é OTUS 500.... anos!

Vida longa ao MST.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Israel, Mano Bin e a verdadeira esquerda do mundo "democrático"

Você já viu o mapa de Israel? Pois como será possível o pop star negro pálido segurar o rojão? Pedirá ele à Madnona, Elton John e seus amigos fazerem um show beneficente na Palestina, ou quem sabe na Jordânia? Em gaza te garanto que ele não topa.

Em meio a tantas perguntas, a que eu sempre fiz assertivamente e nunca me respondem com apenas três letras é: Se o Estado de Israel foi criado pela tal ONU no meio de outro país, isso não é um território invadido? A história recente sempre mostra que ninguém no Oriente Médio é amigo de Israel, e sim amigo da fábrica de armas deles, e dadas as circunstancias, até a Palestina (ou o que resta dela) é capaz de fazer as pazes se precisar de armas pra pagar fiado.

A barbárie militar choca? Pois a idiotice diplomática me insulta ainda mais. É duro imaginar que nos ultimos milênios os Judeus são sempre os coitadinhos. Não faço aqui referência às vítimas do holocausto, nem ao controle da mídia imposta desde que existe TV à cores, muito menos aos premios Oscar ganhos pelo Spielberg.

E a ultima aparição do Mano Bin no meio da baderna?? Diz a mídia gorda viciada mal traduzida, que o cara convocou o povo árabe pra um Jihad contra os Filhos de Moises. A palavra que ecoaria na cabeça de um comum telespectador seria: "-FUDEU!!!"
Aliás, seguindo essa tática, a mesma de sempre, a do medo, lembre-se de não comprar nada pra que a crise economica aumente e assim justificar mais guerras pelo globo à fora.

Pra quem não sabe, eu acho que o Bin Laden é o maior personagem de guerra de hollywood depois do Rambo. A diferença é que nos filmes do Rambo o ator, o pente da metranca e sua faixinha de cabelo são sempre os mesmos. Mano Bin, reapelidado por mim mesmo, seria o meu personagem preferido das minhas paranóias bélicas civis da terra brasilis dos dias de hoje, ele seria o louco líder do levante periférico contra essa baboseira de ostentação dos mequetrefes que lapidam a riqueza gerada pelo povão desinformado do futebol, carnaval e bunda. O Mano Bin, dentro da minha fértil imaginação, traja bombeta no lugar do turbante, suas roupas também são largas mas seguem o "estilo favela", bombo-jaco e muita ginga. Sua legião de loucos é infinita e o dialeto é próprio tá ligado?!

Hamas ? IRA? Hizbollah? Tigres Tâmeis? Chavismo? Sendero Luminoso? Zapatismo? Tupac Amaru? Organização Revolucionária 17 de Novembro? Grupos separatistas chechenos? Al Jihad? Fatah ? ETA? Farc? PCC? Cufa? MST? Via Campesina? Conlutas? CV? 3C? Jihad Islâmico ?

Eis a verdadeira esquerda atuante neste mundo, o resto é engodo da tal democracia burguesa corrompida.

Poderia citar mais alguns grupos rebeldes (denominados TERRORISTAS pela nomenclatura da midia gorda). É muito fácil ignorá-los e até condená-los, e com o mesmo gesto ignorar suas respectivas histórias e reivindicações e até condenar a própria inteligência humana ao acreditar em tudo o que a caixa de luz colorida te diz, mesmo que ela seja fina e Full HD, afinal ver de camarote não dói.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Como ganhar a eleição em 2010 ?

Como democracia pra mim é insulto à inteligência de um pobre girino, prefiro me divertir com o realite-chou mais cômico desse puteiro continental. Aqui as cafetinas mandam e desmandam há séculos pra girar a tal "roda da eleição" e continuam a ganhar sua grana pra se manter cagando de cima pra baixo. Eita porra sô ! E o latifúndio? E o petróleo? E a coca? E as putas? E o Índio? E os diamante? E os preto? Obamis? Ronaldo Gordo? Foi ele quem pulou no Rio Itajaí que transbordou? O Fidel? E o Vasco? Putz esqueci da Madonna... Falando nisso...
As cafetinas já nasceram sabendo onde apertar, mandam de cara: - Taxem as puta, pô! O mercado se regula sozinho, deixe que se matem. O meu tá garantido. É imposto, taxa, pedágio, ágio e o cacete! Vou montar outro banquinho...

Ganham de todo jeito, na crise, no auge, sempre fácil, afinal todos querem funfar e ser feliz. Compre mais compre mais e mais.

E o suor continua pagando só os juros da compra à prazo na vendinha do próprio patrão. O prego é que mudou de lugar, agora é digitalis, como diria Obamis da Mangueira, o ex-trapalhão e futuro presidente dos istadunidense de lá. E um percentual já vai pra casa branca quando se digita a senha do banco. Dá-lhe senzala moral, pior do que chicote.

Mas o assunto é como fazer pra ser o próximo presidente daqui. Se o problema é carisma, meu voto é pro Silvio, mas se a questão é representatividade, meu voto fica para o Dantas, à ele o que já é dele, o "puder". Mas agora que Aecinho (o comedor de Miss) e seus asseclas da cidade monstro já montaram o esquema, não vai ter pra ninguém em 2010. As arrecadações dos pedágios do Rodoanel e Fernão Dias ou elegem seus idealizadores ou aleijam de vez os paulistanos. Embora eu tema que ambas as coisas sejam iminentes.

O Rodoanel Mario Covas é exatamente nada daquilo que a pobre promessa feita pelo defunto homônimo. Ele disse que não haveria pedágio. Mas eu sou brasileiro e acredito em Papai Noel, Coelhinho da Pascoa e claro, em político em campanha eleitoral. E pra piorar, eu aprendi a ser idiota tão bem na escola, que não vou cobrar promessa de finado.

Depois é bronca minha, mas faça as contas, desde Adhemar de Barros até agora, o que ganhamos com a tucanada no governo do Estado de SP? Duas gerações de analfabetos funcionais, pedágios, taxas, impostos, policiais assassinos, extermínio de presidiários à luz do dia, favelas, perda do parque industrial, e tudo isso com apenas dois efeitos colaterais graves, a miséria e a violência.

E viva a CCR - Ecovias - e todos os testas de ferro dessa vergonha nacional !!!!

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Apartheid Cultural, a lenda da meia-entrada

Já aprovado pelas comissões de Constituição e Justiça e Educação, tramita
no Senado, projeto-de-lei que restringe o direito à meia-entrada. Quando criada, seu objetivo era estimular e possibilitar o acesso dos jovens, principalmente estudantes, aos bens culturais como meio de desenvolvimento intelectual e de lazer.

Tal medida vem sendo discutida amplamente embora a grande mídia cague e ande para o assunto. Pois são eles muitas vezes os patrocinadores e divulgadores das atividades culturais que segregam o cidadão pobre. Me diga quanto custa o ingresso do cinema hoje num shopping de alguma capital. Qual o preço do ingresso para os grandes espetáculos como Circo de Solei? Quanto custa o ingresso para a Formula 1? Quanto custa ir ao teatro?

Já não bastava pagar um absurdo para ir a um show em estadios e assistir somente aos lindos cabelinhos da elite brasileira, afinal agora existe PISTA VIP. A maldita faixa na frente do palco é destinada a quem tem o privilegio e bolso pra ser VIP, e se você não tem uma grana violenta pra ver sua banda de rock favorita, sugiro que você depois baixe uma gravação pirata pra ver. COPY LEFT Porra!

O ponto mais forte na argumentação dos malditos "comerciantes da cultura" (os quais fazem um show da Madona custar mais que o valor de uma televisão LCD) é que há muita falsificação. Ô dó!
Nem pretendo entrar na questão dos agiotas que patrocionam tais eventos e parte dos ingressos é vendida só para aqueles afortunados correntistas (Citibank por exemplo).

Eis o ciclo vicioso da burrice capitalista. Para cobrir o valor das meias-entradas, os promotores aumentam o valor do ingresso, assim quem não tem carteirinha paga 150% do valor de um ingresso, para que o coitado do estudante (falsificado ou não) pague apenas 50% do valor do ingresso, que na verdade é mais do que isso. Exemplo:

Custo real do ingresso R$100,00 -> Meia Entrada R$50,00

Aumentam o ingresso (inteiro) para R$150,00 -> Meia Entrada R$ 75,00

No final os 2 ingressos (1 inteira + 1 meio ingresso) = R$225,00 e não R$200,00 de duas entradas inteiras.

No final eles ainda ganham R$25,00 do estudante por serem legais vendendo meia entrada. Ao invés de perder os R$50,00 da meia-entrada, parabéns para eles, azar da nossa ignorante realidade sem cultura e discernimento.

Resultado prático das arbitrariedades financeiras até o momento?

Pão e circo para a elite, de brinde leva-se cultura (enlatada, mas ainda é privilégio!). A cultura não transforma a mente da elite, cultura é apenas mais um bem de consumo que gerta status.
- Oi amiga, eu fui ao show do Lenny Kravitz e vc?

Pão e circo para o pobre (maioria), se resume ao pagode, churrasquinho de gato e televisão para ver a novela ou o futebol.
- Morro por ti Cúrintia!!!!

Porém, no grupinho dos revoltados que me incluo, o pobre quer e gosta de teatro, cinema, shows, etc e deveria ter direito igual ao acesso à cultura, usando da meia-entrada como alternativa para não empenhar todo seu soldo em uma única visita à arena da casa grande. Mas do que vale a opinião de um proletario que sabe ler e usa a internet? NADA e viva o blog!

No grupinho elitizado dos hipócritas acéfalos, esse povo feio, mestiço, sujo e mal arrumado não deveria sentar ao lado deles no teatro, cinema ou F1. Já criaram o ingresso VIP, o VIP Plus e o Camarote Preiba.. e não adianta, eles não querem deixar o Brasil para os brasileiros, querem viver aqui e não dividir o espaço. Qual a solução ??

Carteirinha só de segunda a quinta! Hahahahahahah

A minha sugestão de solução seria mandar toda a elite morar em BeverlyHills, mas lá eles serão tratados como brasileiros sujos e mal educados, então é melhor continuar aqui pisando na cabeça do povão, mandando e desmandando e claro, continuar a pensar que seu côco é mais cheiroso.

E assim seguiremos felizes até que o efeito colateral chamado violência (recurso natural da miséria) os prenda dentro dos seus próprios castelos de areia.

E sabe onde estão as entidades estudantis, UNE, UBES, etc? Nem eu....

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

A crise americana em "brasileiríssimo"

Mais uma enviada pelo Antonino.


Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender. É assim:


O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.


Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).


O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.


Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CCBs, CDBs , CCDs, UTIs, OVNIs, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.


Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).


Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência.


E toda a cadeia sifu.

A HISTÓRIA DO JOHN: A CRISE AMERICANA DE FORMA DIDÁTICA

John comprou uma casa, no começo dos anos 90 por 300.000 dólares financiada em 30 anos. Em 2006 a casa do John tinha valorizado e estava valendo 1,1 milhão de dólares. Uma fantástica valorização.

Mesmo ainda faltando 20 anos para quitar a casa, um banco perguntou pro John se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, ou seja uma segunda hipoteca. Ele aceitou o empréstimo, fez a nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares. John não precisava do dinheiro. Tinha um emprego estável, morava numa simpática casa no subúrbio de uma grande cidade. Mas como todo americano, não podia escutar a palavra crédito.

Com os 800.000 dólares e ainda sem saber o que fazer com esse dinheiro, John soube por um amigo que o mercado imobiliário continuava valorizando. Era construir, anunciar, vender e lucrar. Um ótimo negócio e como disseram pro John, não havia riscos.

John comprou 3 casas em construção, na parte mais nobre da cidade, dando como entrada 300.000 dólares e imediatamente fez mais 3 hipotecas, uma pra cada casa. Porém no acordo feito, o valor recebido pelas 3 hipotecas era pequeno, o suficiente para terminar a construcao das casas.

A diferença, 500.000 dólares, que John recebeu do banco, ele gastou: comprou carro novo (alemão) pra ele. Deu um carro (japonês) para cada filho. E com o resto do dinheiro comprou 8 TVs de plasma de 600 polegadas cada uma (coreanas), 8 notebooks(chineses), uma jacuzzi de 30.000 dólares (vietnamita, fabricada com trabalho escravo infantil) e um lindo ponney (mexicano) para sua filha caçula, financiado em 25 anos, (o companheiro ponney irá para o céu dos ponneys e o John ainda estará pagando as prestacões). Além de realizar seu grande sonho de viagem, ir a Paris, ficando hospedado no Ritz pagando 600 euros a diária (mesmo estando na cidade com alguns dos melhores restaurantes do mundo e com grana, emprestada, no bolso, John não abria mao do seu hambúrger no jantar).

Tudo comprado em longas prestações,com entradas bem pequenas, tudo a crédito. Uma farra.

A esposa do John, sentindo-se rica, sentou o dedo nos seus 28 cartões de crédito. Aproveitou para fazer algumas cirurgias plásticas, para ser exato 18. Seus seios ficaram lindos, os 3. John era o sonho americano em forma de pessoa.

O tempo passou, o tempo,esse malvado, sempre passa!!

No começo de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o John tinha comprado e estavam em fase final de construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham liquidez. O negócio que o John tinha se metido era...refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas em começo de construção e revendê-las com lucro repassando as hipotecas.

Fácil. Parecia fácil. Sempre parece fácil.

Só havia um probleminha com o negócio do John. Todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo.

As taxas de juro das hipotecas que o John pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o John percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre. Milhões tiveram a mesma idéia do John. Tinha casa pra vender como nunca.

John foi aguentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou para revender, mais as prestações dos carros, dos notebooks, das tv de plasma, da jacuzzi milionária, do ponney e dos cartão de créditos.

Aí, as casas que o John comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que o John tinha gasto o dinheiro. No momento da parcela maior, John achava que já teria revendido as 3 casas. Mas os compradores tinham desaparecido.

John se danou.

Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. John comecou a não pagar suas milhares de contas.

Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais ao John. E tambem das milhões de pessoas que compraram essas casas dos que tiveram a idéia antes do John.

John optou pela sobrevivência da família. John entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido.

John quebrou.

Ele e sua família pararam de consumir. Um sem número de Johns deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis.

Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Johns em títulos negociáveis. Com a inadimplência dos Johns, esses títulos passaram a valer pó. Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço que esses imoveis não valiam mais. Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava. A inadimplência dos milhões de Johns atingiu fortemente os bancos americanos e europeus que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil acabou.

Com a inadimplência dos milhões de Johns, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Johns pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro, não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo dos Johns de perder o emprego fez a economia travar.

Recessão é sentimento, é medo do futuro. Mesmo quem pode, pára de consumir.

O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo. Porém, ainda não se sabe o resultado prático dessas medidas na economia real.

Essas ações foram corretas e, até agora, não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas.

ATE QUE O IMPENSÁVEL ACONTECEU!!!

O pior pesadelo para uma economia: crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, quebrado, insolvente. O FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan.

Mais recentemente as financiadoras de hipoteca FREDDIE MAC E FANNIE MAE também se viram em situação de quase insolvência. Rapidamente o congresso aprovou um plano de ajuda as duas empresas. Se elas quebrassem, teríamos um efeito cascata e o sistema desmoronaria.

O mercado e as pessoas seguem sem saber o que esperar. O que começou com o John hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo poderá dizer o que vai acontecer.

E o John e sua família? Você deve estar se perguntando.

John devolveu todos os bens para as financeiras. E ainda ficou devendo um dinheirão. Mas o que ele mais queria devolver, ele não conseguiu. As plásticas da esposa, essas não tiveram jeito.


ENVIADO por Antonino Pitzschk

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Crítica a vida corporativa.

Isto émais um desabafo do que uma idéia construída.

As pessoas sabem a cotação do dólar, as prováveis fusões que acontecerão, acompanham as bolsas de Londres, New York , Tókio e porque não dizer a BM&F? Mas não sabem o nome do porteiro do prédio onde residem.
Contam aos amigos o que conseguiram fazer no trabalho, coisas como diminuír o gasto do departamento em 7% mês passado, minha empresa se tornou a maior em seu segmento, discutem o orçamento e os planos da empresa que comandam, mas não sabem quantos filhos a empregada sustenta com o salário que ganha limpando a casa deles.
A preocupação de todos parece ser quais certificações tirar, e como o mercado vê tais coisas. Perguntas como, ganharei mais se me certificar nisso ou naquilo? Que cargo posso almejar com as certificações que tenho?
Os sonhos que antes eram, quero ter uma familia, ser respeitado por meus filhos, e amado pelos amigos, hoje se tornou, quero ser CEO de uma grande CIA, ou ter aquele carro que não tem cara de tiozão. Me pergunto, será que a familia o respeitará por ser CEO, ou os amigos o amarão por ter o carro?
Ouço termos como economia de escala, aumento de produção para maximização dos lucros, as conversas giram em torno do que a empresa onde trabalham se tornará, e qual a contribuição que as pessoas dão para tal feito. Quando a conversa toma o rumo pessoal, parecendo uma tentativa desesperada da alma ainda humana, as pessoas versam de como a familia reclama da distancia que eles estão de “acontecimentos pequenos”, como o primeiro passo do filho, o almoço de Domingo que ele perdeu por estar no trabalho preparando uma apresentação importante para Segunda-Feira. Ou a mulher que o abandonou, o filho que fica no computador enquanto ele janta correndo pra poder terminar algo do trabalho que não conseguiu durante o dia, e o chefe precisa para o dia seguinte sem falta. Ou seja, é sempre pra reclamar do que a vida pessoal deles se tornou, e do quanto atrapalha a vida profissional. Mas logo voltam para o assunto principal, como que para fugir do que os incomoda.
Quando penso nisso me lembro de uma música que ouvi décadas atrás do Caetano Veloso:
Alguma coisa esta fora da ordem, fora da nova ordem mundial!!
É, e suspirando percebo que sou eu que estou fora da nova ordem mundial!!
Pois ao meu ver, ser CEO de uma grande empresa só me faria menos humano do que fui ao completar 10 anos de idade. Hoje com mais de 30, tenho medo das coisas que consegui no trabalho. Por saber que cada vitória, cada cargo que consegui, significou algo que não consegui como ser humano. Perdi valiosos momentos com minha familia para entregar algo no prazo.
Perdi amigos por não ter tempo de visitá-los, perdi possíveis amores por não estar onde elas estariam. E o que ganhei?
Quero a partir de hoje, dizer não aos prazos, não as informações que não me acrescentem à alma um fator humano. Será que é tarde?? Será que por trás desse Rato corporativista ainda pulsa uma alma humana? Essas perguntas me assolam a noite me impedindo de dormir.
Gostaria que não incomodassem a mais ninguém!!


Kleber Pereira Ribeiro