terça-feira, junho 27, 2006

Leitura, a principal arma do PCC.

Várias semanas após o sangrento embate no Estado de São Paulo, entre representantes armados do poder público e a organização carcerária denominada PCC, as coisas começam a ficar claras e eu me arrisco menos ao afirmar que a saída para os problemas do Brasil é a leitura. Sem demagogias ou pseudo-intelectualismo.

Se você está lendo este texto, e ao menos possui a capacidade de compreendê-lo, sinta-se um brasileiro privilegiado. Minha afirmação de baseia em fatos, os quais colocam o líder do Primeiro Comando da Capital, de alcunha Marcola, um intelectual autodidata formado e pós-graduado no crime desde a mais tenra idade como um verdadeiro gênio, por ter lido mais de três mil títulos. A maioria na cadeia. Não me excederia se indagasse onde ele aprendeu a ler. Tão pouco me estarrecem os atentados por ele ordenados, nem a represália da polícia, frieza minha?! Claro que não, essa é só a ponta do Iceberg...

A leitura pode esclarecer e educar. A leitura fomenta sonhos, auto-estima, conhecimento e capacitação. Coisas tão em voga ultimamente.
Lendo seriamos capazes de evitar as pizzas que embrulhamos a cada CPI, de formar líderes comprometidos com a população, seria capaz de instruir todas as pessoas a não aceitar as migalhas do nosso próprio suor ofertadas como esmola através do sucateamento da saúde e educação pública.

Se nossos avós e pais lutaram pela liberdade de expressão, no fundo creio que eles gostariam de escrever tudo aquilo que hoje não lemos (se é que não escreveram). O hábito de ler desvendaria que não existem apenas o Jornal Estado de São e Paulo, o Globo e a revista Veja, as novelas deixariam de ser interessantes e o Faustão talvez pedisse demissão. Haveria maior procura pro bibliotecas a bocas de fumo. Saberíamos que existem outras opções à total alienação. Se lêssemos, saberíamos a diferença entre reivindicar e reclamar, entre viver e sobreviver, e a semelhança entre político, criminoso e policia.

A leitura poderia capacitar alguém coerente para dirigir uma força bélica, chamada Polícia Militar, ou de evitar que o Marcola viva do lado do Beira-Mar. A leitura conseguiria evitar todos os problemas sociais que se enveredaram, rolaram morro abaixo como uma grandiosa bola de neve e culminou no segundo levante do PCC.

A leitura criou o Monstro Marcola, a falta dela criou um povo mudo, estático, eternamente vítima, e uma classe dominante, mesquinha, burra e incapaz de compreender que matar o povo significa matar sua fonte de renda.

Eu poderia concluir estas linhas questionando quantos livros nossos líderes, eu ou você já lemos. Nem questionaria quantos livros os policiais militares lêem em média, bobagem. Mas displicentemente reafirmo que o problema não é o sistema carcerário, ou a morosidade da justiça, ou a total descrença com os poderes públicos, nem o nível de mediocridade que o nosso Estado alcançou, muito menos a elite branca e alienada, nosso problema é o analfabetismo. Não há outro meio de reverter tal situação sem leitura, se alguém lesse, entenderia que não há precedentes de tal afronta em nenhuma guerra civil da história contemporânea.


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segunda-feira, junho 12, 2006

Globalização do credo!

Num país onde quem sabe ler não entende mais de 30% de qualquer texto, o enlatado é o mais consumido. Culpa de quem? Me intriga muito como as coisas se relacionam para atender aos interesses comuns entre os setores do poder. A igreja, a política, o poder monetário, o fisco, a cultura e carência do povo brasileiro.
Enquanto imaginamos que no mundo não há mais espaço para as sociedades teocráticas, ficamos a mercê de empresários da fé. Trabalhando como verdadeiras transnacionais com seus capitais estrangeiros dentro do país, seja fazendo lob como governo ou com seus diferentes produtos e serviços a disposição daqueles que acreditam em algo melhor que o inferno que vivemos.

Nas entrelinhas das massivas campanhas publicitárias está sempre presente a promessa de um mundo melhor. Afinal, se não sabemos o que acontece depois do destino que iguala todos os seres da natureza, precisamos acreditar que do "outro lado" as coisas sejam melhores do que as atuais circuntâncias. E qualquer investimento neste sentido é o próprio exercício da fé, e logo é válido de alguma forma. Continuamos exercitando a fé quando ouvir idéias alheias é menos oneroso do que pensar.

Cito produtos pois as empresas que formam as igrejas evangélicas tem diversas faces, cada uma atendendo ao seu segmento. Isso não questão ideológica, não entre no consumismo de santinhos, camisetas, livros, cds, dvds, etc. Comparando com qualquer transnacional, os investimentos iniciais vieram de fora, dos reinos estadunidenses da fé, comercializam a fé criando necessidades de salvação, possuem o marketing mais agressivo do mercado, são isentos de impostos e ficam sem prestar contas ao estado, à sociedade e seus próprios fiéis.

A cada eleição, eles colocam um numero maior de representantes no governo, de forma a fomentar e exercer controle visando a manutenção das próprias regalias. Hoje falamos de 35% de representação entre os três poderes. Eis a ironia do Partido Liberal!

Os veículos de controle nacional, as tão conhecidas concessões do Estado e até mesmo canais particulares das redes de TV à cabo, estão cada vez mais congestionadas com figuras pedindo dízimos em troca de salvação. E cá entre nós, em todas as camadas sociais, o que mais desejamos nesta vida é estar a salvo.

Temos então o cenário perfeito. Povo carente, isenção de impostos, parlamentares, meios de comunicação de massa, controle ideológico e financiamento popular. Como parar tudo isso?

Minha sugestão é simples, Edir Macedo para presidente da República das Bananas. Afinal o Vaticano é muito arcaíco com suas dioceses e funcionários, parece uma verdadeira Estatal, não tem como concorrer. As culturas religiosas afro-descendentes não representam ameaça. A classe política tá desacreditada, e a República é um aborto nacional, seu modelo de representatividade nunca funcionará aqui, é balela, e todos sabem disso.

Eis que instituido o Estado Teocrático e a censura, poderemos explicar facilmente ao povo como que um país como o Brasil não vai para a frente. Resposta, por simples determinação divina. Não precisaremos ler, pois os sacerdotes (pastores) o farão nos cultos por nós, não precisaremos mais comer pois o alimento será espiritual, não precisaremos de escolas, iremos aos templos, a saúde pública será feita rezando, a constituição pode ser jogada no lixo, afinal não serve pra nada e a desgraça nossa de cada dia é a vontade de Jesus, assim seja, amém, aleluia!
Quase esqueci de citar que os seres pensantes serão presos ou mortos como falsos profetas, prefeito!


Globalizar a fé é um caminho interessante. Logo logo Hollywood entra na jogada e comeremos o pão de cristo com hamburger e picles e seu vinho sagrado será vendido com copo refil de 750ml. Claro, tudo taxado em dólar.

Filhos da puta, carniceiros, queimem no mármore do inferno!

P.S.: As putas que me perdoem, é só uma força de expressão.
P.S2.: Qualquer semelhança com outros momentos históricos é mera coincidência.

Wil

sexta-feira, junho 09, 2006

Pensamentos repentinos

Deixarei aqui alguns dos meus pensamentos repentinos que correm o risco de serem esquecidos pela correria do dia-a-dia... Creio que não seja nenhuma novidade, mas é algo que ecoa em minha mente por horas e preciso registrar.


Errar é humano, não uma escolha ou uma opção, é apenas um direito;
Opção, é exercitar o perdão, escolha é ser livre, ser feliz;

Faculta a cada ser exercer seus mais íntimos pensamentos, porém a culpa não é privilégio só de quem comete erros. Ela é apenas o castigo da consciência para com aqueles que não aprendem com os próprios erros.

O perdão é a maior das virtudes humanas, só ele é capaz de contemplar a plenitude to amor, seja o amor próprio ou ao próximo, a humildade, a caridade e a fé. Ele é capaz de nos libertar da culpa, da cobrança, da insegurança e do ódio.

Perdoar implica em rever-se íntimamente, para com os outros e com o universo;
Perdoar não é esquecer, é evoluir, é aprender;
Perdoar não redime ninguém, nem vítima, nem culpado.
Perdoar quebra o ciclo dos erros e carmas;
Perdoar faz bem, liberta;


Errar não é proibido, nem feio;
Proibido é ser inerte;
Feio é esquivar-se de responsabilidades;

Viver é amar, seja acertando, errando, perdoando ou corrigindo;
Viver é movimento, aprendizado, conquistas e derrotas. Dia-a-dia."

quarta-feira, maio 24, 2006

LAMBO, LEMBO, LIMBO!

O texto abaixo é o reflexo do colapso, pseudo-caos estabelecido e da representação do humor brasileiro, mais especificamente o paulista. É mesmo de rir. Nem adianta eu voltar àquela máxima comprada não lembro de qual ídolo, porém dogmatizada até que me provem o contrário. Qual a máxima? ah... A de que as revoluções só acontecem quando algum burguês se rebela. Hein? Eu diria as revoluções documentadas.
Aproveite a oportunidade de não estar bisbilhotando a vida alheia no Orkut e leia algo substancial. Cansa, né?! Ainda mais este assunto... Mas se você preferir, ignore... Afinal, se você acessa a internet, representa menos de 15% da população desta Zona, o Café Brasil! E claro, você pode garantir a estatística de semi-analfabetismo e continuar ignorando.
Não dou a mínima, mesmo! Afinal de contas, isso nunca chegará a ser lido por mais de 1% da população mesmo. FODA-SE! Psicologia barata é comigo mesmo...





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Marco Aurélio Weissheimer
O governador Cláudio Lembo (PFL), em entrevista a Mônica Bergamo, na "Folha de São Paulo", fez algumas das declarações mais duras e agudas contra a elite brasileira que se tem notícia nos últimos tempos. Não mediu palavras. O Brasil é governado por uma elite branca muito perversa. A burguesia brasileira terá de abrir a bolsa para sustentar a miséria social do país. Nossa burguesia devia é ficar quietinha pensar muito no que ela fez para este país. Essas foram algumas das declarações do governador paulista. Um homem do PFL, partido que, segundo a piada de Bergamo, cuja autoria Lembo reivindicou, está no poder desde que Cabral chegou ao Brasil. Na entrevista, o governador também destila ironia na direção do triunvirato tucano (Alckmin, Serra e Fernando Henrique Cardoso), que não teria manifestado grande solidariedade com a situação enfrentada por ele desde o final da semana passada. Mas o que foi que Lembo disse mesmo?
Muita gente não acreditou ao pegar a "Folha de São Paulo" nas mãos e ler a seguinte radiografia da elite brasileira: “O Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa (...).Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha (com socialites, artistas, empresários e celebridades) desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar (...).Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país (...).A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações”.
O LUGAR DE QUEM FALA
Essas declarações têm um significado adicional, além daquele expresso propriamente pelo seu conteúdo. E esse significado adicional diz respeito ao lugar de quem fala. Quem fala é um quadro dirigente do PFL que até bem pouco tempo era vice daquele que hoje é o candidato do PSDB à presidência da República, o sr. Geraldo Alckmin. Quem fala é alguém que conhece a elite de perto. Na entrevista, aponta alguns de seus hábitos, idéias e comportamentos. Não é a fala de um esquerdista panfletário discursando contra as elites brasileiras pela milésima vez. Se fosse, provavelmente não ganharia uma linha na imprensa. Não traria nada de novo. Quem fala é o governador do estado mais rico do país. É o principal mandato que o PFL ocupa hoje no Estado brasileiro. É a fala de alguém que manifesta desprezo por seus pares, um desprezo profundo, “quase classista”, com a licença do paradoxo. O modo como se refere às “dondocas de SP” é sintomático.
“O que eu vi (nas entrevistas para a Folha) foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses (prazo que resta para Lembo deixar o governo)”. Lembo foi mais longe, espacial e temporalmente, fazendo uma irônica homenagem à obra de Gilberto Freire: “A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país”. Mais claro, impossível.
“DECLARAÇÕES FORAM COMEDIDAS”
Se as declarações de Lembo contra a elite branca brasileira foram bombásticas, as reações de seus aliados no PFL e no PSDB expuseram um silêncio patético e constrangido, parecendo confirmar o diagnóstico do governador. O tom geral dessas reações foi: “vamos fazer de conta que não ouvimos o que ouvimos”. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que as declarações do governador foram “comedidas diante do que ele passou”. Comedidas? Imaginemos, por um segundo, o que Lembo diria se não fosse comedido. “Governador de São Paulo defende o fim da propriedade privada e a expropriação da burguesia brasileira”. “Lembo convoca Chávez para enfrentar elite brasileira”. Ou ainda: “Lembo declara guerra à elite de São Paulo”. Algo assim. Para Virgílio, a entrevista “foi a expressão de um governante naturalmente e compreensivelmente comovido com o drama que seus governados viveram”.
O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), ainda irritado com a escolha de José Jorge (PFL-PE) para ser o vice de Alckmin, preferiu o silêncio e não comentou as declarações de Lembo. O senador Romeu Tuma (PFL-SP) admitiu que o PSDB falhou no apoio a Lembo, que a entrevista atingiu Alckmin, e filosofou: “Medo não dá só em branco, dá em qualquer um. Foi um desabafo”. Um desabafo comedido e comovido, como diria o senador Arthur Virgílio. Aliás, o líder tucano também fez seu desabafo: “Não sei por que o Serra não ligou. Não faria mal ter ligado. Se o Fernando Henrique disse (ser contra supostas negociações com o PCC), era melhor não ter dito”. Os sites de PFL e PSDB simplesmente ignoraram a entrevista. Nenhuma palavra. Há uma certa coerência aí, medíocre, mas coerência. Se houve silêncio na hora de prestar solidariedade a Lembo, ele continuou quando o governador “desabafou”.
SILÊNCIOS RUIDOSOS
Lembo manifestou seu desconforto com tanto silêncio, um silêncio que só foi quebrado com uma bola nas costas do governador, lançada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que criticou a possibilidade de um acordo com o PCC). “Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a hipótese de se pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que refletir, pensar. E se informar. Quanto ao presidente (FHC), pode ser que eventualmente ele tenha precedente sobre acordos. Eu não tenho”. Alckmin ligou duas vezes. “O senhor achou pouco?”, perguntou Mônica Bergamo. “Eu acho normal. Os pulsos (telefônicos) são tão caros”, respondeu Lembo. Já o ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do Estado, José Serra, não ligou nenhuma vez, revelou Lembo. Serra é conhecido por ser um homem econômico.
Entre silêncios, bolas nas costas, evasivas e declarações ambíguas e protocolares, ninguém do PSDB e do PFL se atreveu a comentar abertamente o conteúdo da entrevista de Lembo. A própria entrevista pode fornecer uma chave para explicar esse silêncio. “Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país”. Provavelmente o chapéu não serviu a nenhuma cabeça. Trata-se de um silêncio de outro tipo. Um silêncio constrangido e perplexo. Dizer o quê, exatamente? Concordar com o diagnóstico de Lembo sobre o caráter perverso e pueril da elite branca brasileira? Tecer algum comentário sobre a necessidade de a burguesia brasileira abrir a bolsa para enfrentar a miséria social do país? O que fazer com isso? Talvez estejam apostando na máxima que diz: “Se nos mantivermos calados pensarão que somos filósofos”. Ou, melhor ainda, inocentes.
Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)
Qual a sua opinião sobre este assunto?
05.2006
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segunda-feira, maio 15, 2006

Marcelo D2, revide...

Prepotência, arrogância, demagogia e hipocrisia merecem retaliação.
Não será o Marcelo D2 quem vai escapar da minha mira. Vivemos um momento crítico onde ou a mídia começa a veicular a arte do povo para o povo, ou perde dinheiro, audiência e controle.

O RAP possui mais de 20 anos de estrada no Brasil, nasceu influenciado pelo som dos negros estadunidenses, sim, porém aqui nós sempre fazemos do nosso jeito. Alguns claro, se deslumbram com o show bizz, sucesso por fama, fama e dinheiro, e se perdem no caminho.

Desde que conheço o RAP, que começou com uma levada de curtição com RPW, Thaíde, Pepeu, Doctors Mc's, etc, o negócio era promover entertenimento nas quebradas, só bate-cabeça, então chegaram algumas cabeças pensantes e viraram a mesa, com ideologia, discursos contudentes, críticas e sugestões. Como uma verdadeira continuidade do PUNK, clamando por mudanças, falando alto.

Mesmo assim, algumas lendas sempre andavam ecoando no meu WalkMan, como Cypress Hill e Beastie Boys, mesmo que nesta época, minha adolecência me levasse para o Punk, HardCore e o Metal. Então aparece aqui no Brasil algo que misturava vários elementos do que eu curtia. E hoje consigo entender melhor, a legalização da maconha (Cypress Hill), o sarcasmo (Beastie Boys) e pancada na cozinha (Baixo - Batera) e o tal metal na guitarra. Nasce o tal do Planet Hemp, plagio compilado? Tire você a conclusão...

Depois o cabeça da banda resolve fazer a boa, e se lança como "under-ground" numa carreira solo, tendência na época, e vai abraçando as idéias do capital, e do benefício próprio. Ao meu ver, tudo legítimo, pois sempre preguei que sem atravessar o lado de ninguém, o cara se levanta da maneira que pode. Né?! Ideologia e responsabilidade fica pros mais utópicos, bobagem...

Mas pensando sobre as outras tendências e coincidências, o tal do Marcelo, faz estardalhaço de graça e ridiculariza os ex-companheiros e os Rappers brasileiros, por simples orgulho infantil ou marketing. Lá fora um loirinho fazia o mesmo, apadrinhado pelo Dr. Dree, mas isso é outra idéia. A creditibilidade vai pro saco quando ele começa atravessar a idéia alheia. Como diria o P9, eu só estou relacionando os fatos, o juízo cada que faz.


Não podemos desmerecer a produção do cara, afinal ele tem recursos e usa bem. Consegue participações muito especiais, mas não tem o direito de falar o que quer e bem entende. Se alguns rappers não dão entrevista, é por uma questão de respeito e responsabilidade. Afinal, se for pra falar besteira é melhor ficar calado.

Pensei muito antes de dar mais ibope ao cara, mas quer saber?! Ele abriu o precedente, fala o que quer, e eu na onda exercito meu direito de expressão. Toma lá dá cá.

Mistura de RAP com Samba, é vendido como uma invenção do cara, mas se olharmos o HipHop espalhado pelo mundo, temos a mistura do RAP com elementos das culturas locais, seja onde for. Nem entro nos verdadeiros méritos do Rappin Hood, ele não precisa de "Merchan". A questão é que entre um flash e outro, o MainStream trabalha a figurinha pra fazer do RAP uma nova "lambada" e claro, aniquilá-lo assim que não der mais lucro.

Mas quem quiser ouvir RAP de verdade, ideologia, compromisso e atitude, é fácil, basta fazer parte do povo, lá toca tudo que as rádios rejeitam, ao contrário dos discos que vendem com ajuda de jabá.

Ae Marcelinho, cascudo é seu blábláblá, sinistra é a sua prepotência, baixa a bola seu marionete! HipHop é compromisso, não é grife, presta mais atenção.


Wil



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sexta-feira, abril 21, 2006

Pai

Meu pai era uma pessoa muito inteligente, crítica, e muitas vezes teimosa. Como todo filho de peixe, não pude ser diferente. Com o orgulho transmitido geneticamente, muitas vezes divergíamos sobre questões políticas, de maneira que eu pensasse que a educação que ele me proporcionou fosse muito melhor do que a que ele teve, imaginava-o mal informado e muito radical. Talvez isso se devesse ao fato dele ter sido educado num país distante, depois que meus avós se evadiram de campos de concentração durante a segunda guerra, e vieram para o Brasil sem saber falar uma palavra em português.

Eu creditava o seu radicalismo às seqüelas do seu passado, ouvindo as histórias horrendas da guerra e da violência contra os judeus. Assim como a maioria, também sempre fui bombardeado por Hollywood com seus filmes espetaculares sobre o anti-semitismo e as crueldades da segunda guerra, sempre numa visão muito americanizada e nem sempre real. E o porquê tudo aquilo? Por dinheiro e poder... Simplesmente!


Ouvi meu pai divagar várias vezes com opiniões radicais, que embora eu não fosse capaz de concordar completamente, estas idéias ficaram e ficarão ecoando no meu ouvido, e de tempos em tempos eu racionalizo sobre elas.


Ele dizia que o Brasil, sendo o que é, com suas riquezas, somente seria viável e justo aos próprios brasileiros no dia que houvesse, no Brasil, uma classe revolucionária, violenta e extremista para retirar à força do poder as figurinhas marcadas, a dinastia coronelista e seus testas-de-ferro. A retórica sempre me instigou.


Também era comum ele afirmar que a vida do pobre trabalhador fora muito melhor durante a ditadura, a tal da ditadura militar. Será?

Eis que no momento estou revisando tais posições, além dessas inquietações, do meu pai restam ótimas lembranças, algumas cicatrizes e saudades. Nestas linhas recordo dele e incrivelmente, estou contente, olhos marejados, não sei se é apenas uma questão química, o sono, ou o prazer de conseguir me expressar.


Meu raciocínio pode até falhar, mas eu sinto que vivemos num país realmente muito pior do que aquele da ditadura militar. Também sinto que as aspirações revolucionárias da juventude daquela época foram alcançadas. Os jovens estão armados e lutando, pena que entre si, se matando pelo mesmo mal que me enoja, por poder e grana, em menor escala claro! Inconsciente miserável pela sobrevivência, indiscutível e lastimável.

Essa violência cotidiana foi e continua sendo fomentada por aqueles hipócritas de sempre, criando a miséria, o ódio, o desespero, e chego a duvidar se temos como reverter o quadro que vivemos. Esses hipócritas nos dizem que a ditadura acabou, mas é óbvio que ela apenas se transformou para continuar atendendo aos mesmos canalhas, entre outras coisas, a ditadura se transformou em concessões de rádio e tv, poderes executivo, judiciário e legislativo, que garantiram anistias à genocídas, auto-favorecimento, imunidade parlamentar, impunidade e repressão econômica-social através do assalto aos direitos humanos, nos privando de educação, saúde, etc. O exílio continua existindo, a cada dia temos mais e mais brasileiros exilados nas favelas, morros, cortiços e pontes, sem direito a cidadania, exercendo apenas a obrigação do voto. E ao contrário o exílio que os artistas sofreram, nós continuamos aqui mesmo, produzindo riquezas para uso e fruto daqueles que nos julgam e condenam a viver como animais.


Isto seria apenas o retrato que tenho hoje, sei que voltarei a pensar sobre isto quando tiver filhos, afinal, que mundo eu entregarei à estas crianças?

Paz!

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quinta-feira, abril 13, 2006

Hipocrisia

Também estou cansado, cansado de tentar compreender a lógica das coisas, os fatos retratados por profissionais da mídia que se intitulam jornalistas.

Hipocrisia. De tanto utilizar tal palavra, eu acabo por me convencer que o sistema político brasileiro seria coerente se utilizássemos o termo Hipocrisia também para defini-lo. Creio não ser necessário enumerar os motivos.

Sinto-me muitas vezes, num mesmo dia, envergonhado. Envergonhado sim, por ter uma origem humilde e ter conseguido um diploma de terceiro grau, por ter acesso a Internet e ganhar mais de 5 salários mínimos, carteira assinada, direito ao voto e liberdade de expressão. Tenho vergonha de ter um vago senso político e discernimento sobre algumas questões que tangem o social. E permanecer inerte, correndo o risco de entregar esse mundo que vivemos aos meus descendentes.

Assim como o Lula, não sou, nem jamais seria um advogado, médico, economista, sociólogo ou coisa deste gênero. Desde de cedo tenho consciência de que não conseguiria estudar para descobrir as brechas da legislação para tutelar uma criatura que matou os próprios pais a pauladas. Tão pouco, teria coragem de vender soluções milagrosas para resolver problemas estéticos para alguém que não precisa. Embora tenha conseguido alguns avanços econômicos na vida particular, nunca consegui entender por que o nosso combustível é mais caro que aquele que está sendo disputado à pólvora no Iraque, nem como a carga tributária possa continuar aumentando junto com os juros que garantem o lucro dos bancos estrangeiros, e sigo não querendo entender. Por fim, jamais seria um sociólogo, com medo de perder a noção sobre o mundo que adquiri na escalada social predatória, muito embora seja impossível esquecer a favela, a violência, a ignorância e o preconceito, para ficar apenas divagando sobre como seria se, ou senão se. Sem generalizações, o fato é que a hipocrisia e corrupção não é exclusividade da classe política, é cultura nacional.


Numa sociedade que para se respeitar crianças e idosos precisamos criar estatutos, realmente não posso contar com os valores essenciais do ser humano, quanto mais com essa tal honestidade alheia que, não é de hoje que está fora de moda.


Em alguns momentos, me questiono se vale mesmo à pena, ser digno, se preocupar com o próximo, ter consciência e representar apenas um medíocre a menos nesse mar de lama.


Enquanto não mudo minhas convicções, continuarei acreditando que o operário deve continuar se esquivando por mais quatro anos na berlinda chamada presidência da republica, mesmo que figurativamente.




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quinta-feira, março 23, 2006

MV Bill no Fantástico

Qual será minha pior preocupação? Um verdadeiro descendente de Zumbi se expondo no fantástico em rede nacional durante três blocos do programa. Será que isso tem força política mesmo, ou será mais uma medida demagoga do monstro global? Ou o velho grito das periferias e favelas só conseguiu este espaço por que a situação ultrapassou muito o limite?

Se o documentário “Falcão – Meninos do tráfico” tem força política ou não, isso só o tempo poderá responder. O que realmente considero positivo é o fato de que a nossa parte está muito bem representada e realizada. Através da CUFA e sua visão realista e presente, que acreditaram num propósito de denuncia social e agiram, de maneira que nenhum outro setor da sociedade seria capaz de ao menos tentar.

Não quero jogar no lixo todas as denuncias e retratos feitos pelo RAP nacional desde que o mesmo nasceu.
Porém este projeto é um cross-media muito importante e bem elaborado. Ou seja, um negro, favelado, sem suporte sócio-econômico, que como muito poucos, conseguiu sobreviver a tal realidade retratada no documentário e por fim conseguir fazer um trabalho de tal amplitude, o qual contempla um livro, um longa metragem e uma trilha sonora.

Não vou deixar nas entre linhas a minha frustração com os sociólogos acadêmicos que não conseguem realizar nada além de engodo e mandatos políticos.

Tal grito de protesto ecoa há pelo menos três gerações sem nenhuma providencia por parte do estado além de chacinas de menores, genocídios em presídios e apartheid representado pela omissão de suas obrigações constitucionais de educação, saúde e moradia. Segundo opinião do próprio MV Bill, que eu sempre compartilhei, a elite está ou deveria estar assustada, o número de miseráveis, a impunidade e a deturpação dos valores da vida humana só crescem a cada dia.

Transcrevo aqui alguns dos parâmetros identificados pelo documentário, partindo do óbvio: Crianças pobres, de famílias destruídas, sem oportunidade de estudar, mesmo freqüentando a escola pública, falta de perspectiva, impunidade, sedução pelo “sucesso” de quem está mais próximo, os traficantes. Também pela falta de emprego generalizada, lembrando ainda que um jovem de dezessete anos tem as portas fechadas para o emprego formal em função do alistamento militar. E só até aqui já temos muito pra discutir.

De fato, a maioria miserável do país está se movimentando, nos próprios lugares onde a elite nos lançou ao exílio do Brasil, as favelas e periferias. O terceiro setor tenta fazer sua parte, o estado paralelo continua fazendo a sua também, muito embora a violência seja uma ferramenta muito freqüente. Como diz o MV Bill em sua música, “é o armamento POVO vai se formar, veja o seu descaso e arrogância onde vão parar... ”.

Enquanto alguns assistem calados, em suas TVs de plasma a realidade da maioria miserável, eu por aqui torço pra que essa massa que só cresce, se una e vá reivindicar seus direitos, mas também rezo para que quando isso acontecer o sangue derramado seja menor do que os atuais índices de homicídios dentro das comunidades pobres, onde de maneira insana nós estamos nos matando entre si, enquanto as autoridades e a elite desperdiçam nosso suor e sangue em 500 anos de exploração. Ainda mais agora que o povo está cansado de ver o escracho que são as instituições do estado e que esta história de democracia pra resolver nas urnas é papo pra boi dormir.


O pávil está acesso, quando a bomba estourar, saiba de que lado você vai estar.

Coragem e fé,

Wil

quinta-feira, março 09, 2006

Sinhá Moça

Seria idiotice pensar que a Rede Globo é insana ao regravar Sinhá Moça. Se eu ainda acreditasse em coincidencias seria mais fácil de pensar que a sequencia televisiva Escrava Isaura, Chica da Silva e Sinhá Moça não formam a triologia da Elite querendo repudiar os movimentos anti-raciais.

Não faço apologia nem pra um lado nem pra outro, o fato é que a lei Aurea foi assinada à lápis. Nunca ouve libertação de verdade. Pra piorar, a miscigenação promoveu o a discriminação sócio-econômica, o despotismo, discriminação e preconceito, palavras que velam o racismo.

Só vi negro ser protagonista de alguma produção brasileira quando este é criminoso, tal como "O homem que copiava", "Madame Satan", "Cidade de Deus", etc. É Incrível que sempre que alguma novela trata a questão escravocrata, os heróis são brancos. Até quando seremos insultados com tais hipocrisias?

É importante também deixar claro que mesmo que os agentes transformadores da sociedade sejam negros, quem escreve os livros de história não são. Logo quem recebe os créditos nunca será Zumbi, Dandara, Lampião, Chico Mendes, Antonio Conselheiro, etc. Sempre viram mitos, não história!

Mas o que vale ficar atento é que tanto Zumbi dos Palmares quanto o Che Guevara tinham educação, sabiam ler e escrever (de verdade!), não estudaram nas escolas públicas de hoje, e não assistiam novelas.

Eles não eram aqueles coitados da novela que levam chicotadas pelas costas. Aliás, chicotada pelas costas é uma boa definição do que os poderosos continuam fazendo com o povo.

Não podemos justificar esse retorno das novelas épicas escravocratas apenas como uma maneira de atender às quotas para negros atuarem nas novelas, o que por si só já seria mais do que ridículo. Somente conseguiremos mudar tal realidade de maneira efetiva no dia em que os negros passarem a escrever a história do Brasil também com tinta e papel, nos livros. Chega de lustrar sapatos dos outros e assinar com o polegar!

Coragem e Fé!


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terça-feira, janeiro 31, 2006

Jornalismo no Brasil

Quem faz jornalismo de verdade no Brasil é o Zorra Total. A maioria pode não acreditar, mas eu também gostaria de ser jornalista. Não é sem propósito que conto sempre as mesmas piadas sem graça alguma. Se isso não é jornalismo, deveria ser. Basta ligar a TV e assistir ao Jornal Nacional e você entenderá a minha afirmação a cada piada noticiada.

Uma criatura que renega uma gravidez e lança sua filha recém nascida na lagoa da Pampulha, se refere à criança como "essa droga" e me faz acreditar que a depressão pode levar ao homicídio, claro, com requintes de crueldade, só não entendo ainda por que a depressão não leva ao suicídio.

No final de semana, os jornalistas levam uma princesinha lindinha para assistir ao jogo do FLA-FLU, e não é que no meio da galera é possível que a moça retoque sua maquiagem?

Mamães de São Paulo dão entrevistas, de dentro de seus carrões importados, exibindo todas as suas jóias e caríssimos acessórios adquiridos na DASLU. Sob qual pretexto? Ah, é mesmo, o transito. Já estava esquecendo do que se tratava, o assunto seria o transito causado pelas dondocas ao buscar seus filhos num dos colégios mais requintados do país, o DANTE, a apenas duas quadras da avenida Paulista. Será que nesta escola as crianças aprendem sonegar impostos, ou isso é o pai quem ensina em casa? Tanto faz, o importante é que as barbáries praticadas no transito daquela rua é provocada por conta da educação que todos deveríamos ter, de graça. Faz sentido? Deveria haver uma propaganda da revista CARAS, mas até nisso eles pecam.

Um policial militar acéfalo e à paisana, transportando explosivos, consegue destruir uma loja e algumas vidas. Displicência, burrice ou atentado? O Jornal Nacional é imparcial...
Ainda bem que esses policias militares, amantes da morte, possuem permissão para lidar somente com bombas de efeito moral. Mas a explosão não causou efeito nenhum na corporação, a matéria a seguir mostra onde está a tal moral da segurança publica.

A pérola do dia é a matéria do Joalheiro que depois de ser roubado pela quarta vez por ladrões profissionais, ele tem tudo filmado, mais de quatro horas de trabalho duro, até o cofre ser violado com muita destreza. A revolta do nobre joalheiro seria até justa, pois ele pagou muito caro por um aparato eletrônico de segurança privada que não serviu pra nada, além de fazer um longa metragem, basta editar e ganhar dinheiro.

O joalheiro discute com o dono da empresa de segurança, é óbvio que em nenhum momento foi citada a tal segurança pública. Servir a quem, proteger de quê? Antes a resposta era outra, mas agora, não sei não, Marx mais uma vez está errado.

O disparate. O cidadão é tão ridículo que em horário nobre da TV esculacha o país que fez seus antecessores ricos roubando o mesmo tipo de riqueza que ele acabara de perder. E pra fechar com chave de ouro, ele diz que vai embora... Pra onde? Portugal... hahahaha

Será que é culpa do Jornal Nacional? Afinal eu não consigo rir do Zorra Total, em compensação temos uma gotinha de esperança sempre que meu xará Bonner deseja um “Até Amanhã...”


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